O foco é um ato de coragem
Toda vez que você diz "sim" para algo, está dizendo "não" para outra coisa
1. Abertura
Em 1995 eu era estagiário na Romi.
Como todo jovem no início da carreira, eu queria participar de tudo.
Existiam vários projetos acontecendo.
Várias oportunidades.
Várias possibilidades.
E, por algum motivo, comecei a perceber algo.
Quanto mais eu tentava acompanhar tudo...
menos eu avançava em qualquer coisa.
Ninguém me chamou para uma conversa.
Nenhum gestor me deu uma lição.
Eu mesmo cheguei a uma conclusão simples:
Precisava escolher.
Lembro de sentir um certo receio.
Porque escolher uma coisa significava abrir mão de outras.
Mas fiz isso.
Foquei em um projeto.
E aquilo mudou minha trajetória.
Anos depois fui efetivado.
Acabei ficando quase uma década na empresa.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquela talvez tenha sido uma das primeiras lições importantes da minha vida profissional.
Foco não é ganhar opções.
É aprender a renunciar.
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Parte 1 — Toda escolha tem um custo invisível
Existe uma ilusão muito comum na vida adulta.
Acreditamos que podemos dizer "sim" para tudo.
Mais um projeto.
Mais uma responsabilidade.
Mais um compromisso.
Mais uma oportunidade.
Mas a matemática da vida não funciona assim.
Tempo é finito.
Energia é finita.
Atenção é finita.
E toda vez que você diz "sim" para alguma coisa, automaticamente está dizendo "não" para outra.
O problema é que o "não" normalmente fica invisível.
Você aceita uma nova responsabilidade.
Mas talvez esteja dizendo não para sua saúde.
Aceita mais uma reunião.
Mas talvez esteja dizendo não para uma tarefa importante.
Aceita mais uma distração.
Mas talvez esteja dizendo não para um objetivo que realmente importa.
O foco começa quando entendemos isso.
Não existe escolha sem renúncia.
E talvez a maturidade seja justamente aceitar essa realidade.
Parte 2 — O excesso de oportunidades também pode ser um problema
Quando somos jovens, acreditamos que mais opções significam mais liberdade.
Depois de alguns anos de vida profissional, começamos a perceber algo curioso.
Mais opções também geram mais ruído.
Mais cursos.
Mais vídeos.
Mais conteúdos.
Mais projetos.
Mais possibilidades.
Tudo parece importante.
Tudo parece urgente.
Tudo parece imperdível.
E é justamente aí que nasce a dispersão.
Porque a atenção não se perde apenas em coisas ruins.
Ela também se perde em coisas boas.
Esse é o perigo.
As distrações mais perigosas raramente parecem distrações.
Elas normalmente aparecem disfarçadas de oportunidade.
E é por isso que tanta gente vive ocupada.
Mas poucas pessoas vivem focadas.
Parte 3 — O celular não quer seu tempo. Ele quer sua atenção
Outro dia peguei o celular para responder algo rápido.
Era coisa de segundos.
Pelo menos era o plano.
Quando percebi, alguns minutos tinham desaparecido.
Talvez você conheça essa sensação.
Eu chamo isso de "abdução digital".
Você entra para fazer uma coisa.
E sai sem lembrar exatamente como chegou onde chegou. Kkk e não diga que não acontece contigo!!
O curioso é que ninguém acorda pensando:
"Hoje vou desperdiçar minha atenção."
Mas acontece.
Porque a disputa atual não é pelo seu tempo.
É pela sua atenção.
Empresas brigam por ela.
Aplicativos brigam por ela.
Redes sociais brigam por ela.
E, se você não decidir conscientemente onde colocá-la, alguém decidirá por você.
O foco moderno talvez seja isso:
Recuperar o controle da própria atenção.
Parte 4 — As distrações inteligentes são as mais perigosas
Existe uma distração particularmente sofisticada.
Ela não parece perda de tempo.
Parece aprendizado.
Vídeos.
Podcasts.
Artigos.
Redes sociais.
Conteúdo.
E antes que alguém me interprete mal:
Eu gosto de aprender.
Você provavelmente também.
O problema não é aprender.
O problema é consumir infinitamente sem aplicar quase nada.
Porque existe uma diferença enorme entre crescimento e sensação de crescimento.
Muitas vezes estamos consumindo mais uma informação quando, na verdade, deveríamos estar executando algo que já sabemos.
É uma forma elegante de procrastinação.
Uma procrastinação intelectual.
E justamente por parecer produtiva...
ela quase nunca é questionada.
Parte 5 — As pessoas mais focadas normalmente fazem menos
Ao longo da carreira conheci pessoas extremamente produtivas.
Uma delas me marcou bastante.
Era quase obsessiva com resultados.
Muito boa no que fazia.
Na época eu imaginava que ela fazia mais coisas do que todo mundo.
Depois percebi que era exatamente o contrário.
Ela fazia menos.
Mas fazia melhor.
Protegia a agenda.
Protegia a atenção.
Protegia as prioridades.
Enquanto muitos tentavam avançar em dez direções, ela avançava profundamente em uma.
Foi uma lição interessante.
As pessoas mais focadas raramente são as mais ocupadas.
Normalmente são as mais seletivas.
11. CTA - Eu melhor que ontem / Fechamento
Talvez foco não seja uma habilidade de produtividade.
Talvez seja uma virtude.
A virtude de proteger aquilo que você decidiu que importa.
Porque a vida sempre oferecerá mais opções do que tempo.
Mais estímulos do que atenção.
Mais oportunidades do que capacidade de execução.
E talvez maturidade seja justamente aceitar isso.
Hoje, se eu tivesse que resumir foco em uma única frase, diria:
Foco é concentrar-se nos projetos e ações que definimos como prioridade de maneira sistemática.
Parece simples.
Mas poucas coisas transformam tanto uma vida quanto essa escolha.
Porque, no final das contas, não é aquilo que chama sua atenção que define seu futuro.
É aquilo que você decide proteger.
Nos vemos na próxima.
Sem pressa.
Sem peso.
Com intenção.
Tenho publicado reflexões práticas por lá — sem fórmula mágica, mas com propósito diário.
https://www.linkedin.com/in/jefersoncabralperes/
Abraço,
Jeferson Peres.
Jeferson Peres
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